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TEMA: O mundo na/da da mídia e suas ideologias…
A tragédia virou novela
POR ALBERTO DINES -editorial do Observatório da Imprensa
A tragédia da menina Isabella Nardoni converteu-se numa telenovela policial. Com a ajuda dos poderosos holofotes da mídia estamos transformando o país num imenso fórum de Sherlocks Holmes.
A violência contra uma criança de cinco anos vem sendo gradualmente esquecida, Isabella já não horroriza nem comove. Aparentemente esganada e em seguida jogada do sexto andar, Isabella tornou-se secundária. A vítima está importando menos do que o seu ou seus assassinos.
Ao contrário do que ocorreu há pouco mais de um ano, quando o menino João Hélio foi despedaçado pelas ruas do Rio, Isabella passou a ser mero pretexto para despertar o espírito detetivesco, tanto dos mediadores como dos mediados.
Uma das funções da mídia, entre outras, é fazer pensar. Mas, neste caso, ninguém quer pensar – prefere-se acusar, julgar e encerrar o assunto. Mas o interesse da sociedade é fazer justiça. Fazer justiça é uma das maneiras de encerrar este ciclo de crueldade pelo qual pouca gente está realmente se importando.

Sendo que não me parece plausível que os veículos midiáticos não se apercebam de estarem escancarando a tremenda falta de escrúpulo com que tratam dos sentimentos públicos, quando saturam suas programações com o “Casal Nardoni”, sou levado a concluir que isso pouco importa! Em outras palavras, não é grande problema que a mídia seja mal vista por nós, pobres pensantes. Afinal, do que somos capazes? Que ameaça representamos para esse status quo pueril?
Me divido. Minha tendência ingênua em ser otimista faz com que uma esperança estranha persista: há algum propósito nisso tudo. Há alguém querendo mostrar algo…