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* Propionato de clobetasol

L………: Oi Hebert, tudo bem? Por acaso você tem algum material sobre o propionato de clobetasol?Procurei artigos sobre isso na internet, mas não consegui achar muita coisa. Talvez eu tenha procurado nos lugares errados. É uma pomada que um médico me receitou e que funciona bem, só que toda vez que outros médicos perguntam se eu uso algum medicamento, eles arregalam os olhos bem grande quando eu falo desse. Eu gostaria de saber, principalmente, a respeito de possíveis efeitos colaterais. Obrigada!

Propionato de clobetasol

 O propionato de clobetasol (21-cloro-9-fluor -11b,17-dihidróxi -16b -metilpregna-1,4-diene-3,20-dione 17-propionato Fórmula molecular: C25H32ClFO5) é um corticóide (explicação logo abaixo), comercialmente conhecido como PSOREX.

Geralmente, este medicamento é aplicado na forma de creme nos casos de doenças de pele tais como psoríase, eczemas, líquen plano e lúpus. Recomenda-se aplicar em uma pequena quantidade na área afetada, 1 a 2 vezes ao dia, até que ocorra a melhora.

Não recomenda-se usar por um período superior a 4 semanas ou em grandes áreas durante a gravidez. Crianças menores de 12 anos não devem utilizar. A utilização em face, regiões axilar e inguinal deve ser cuidadosa. Tratamento da psoríase requer acompanhamento cuidadoso. E não deve usar quem tem hipersensibilidade à droga.

Mesmo o medicamento sendo utilizado no tempo recomendado pode apresentar alterações locais como: ressecamento da pele, hipertricose, erupções acneiformes, hipopigmentação, dermatite perioral, dermatite de contato alérgica, infecção secundária, irritação, estrias e miliária, Síndrome de Cushing e supressão do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal com insuficiência glicocorticóide após retirada.

Corticóides

Os corticóides ou antiinflamatórios esteróides, são os antiinflamatórios mais eficazes disponíveis [e provavelmente uns dos mais vendidos]. Promovem uma melhora de várias manifestações clínicas. Embora possuam muitos benefícios, há risco de potenciais efeitos adversos vistos em vários tecidos orgânicos. Isto dependerá basicamente das doses empregadas e da duração do tratamento. Para casos agudos, geralmente a tolerância é boa, com os pacientes não apresentando qualquer problema. Para uso por longo tempo, porém, podem haver efeitos adversos graves.

A duração do tratamento com corticóides vai depender do tipo de doença básica que o paciente apresenta. Não há regra absoluta para seu uso. A eficácia dos corticóides nos processos inflamatórios reflete-se na diminuição da inflamação. As manifestações alérgicas também diminuem de modo satisfatório.

Efeitos adversos

Podem ocorrer efeitos adversos em casos de tratamento prolongado, como por exemplo a maior predisposição a infecções. São citados como efeitos adversos: redução da massa muscular, osteoporose, diabetes, úlcera péptica, modificações do humor e do psiquismo, edema, acúmulo de gordura na área posterior do pescoço (“pescoço de búfalo”) e na face (“face de lua”) e inibição do crescimento em crianças.

Em relação à gestação, a placenta é capaz de inativar os corticóides, não passando boa parte do remédio para o feto. Somente altas doses administradas à gestante podem provocar insuficiência adrenal no recém-nascido, que é reversível. Embora passem ao leite, não causam problemas para o bebê se as doses forem pequenas e administradas longe das mamadas.

Sabidamente, o uso crônico de corticóide traz inúmeros malefícios que interferem na qualidade de vida dos pacientes. Morbidades como intolerância a glicose, elevação dos níveis pressóricos, alteração do humor, osteopenia, osteonecrose, retenção de sódio, entre outras, nos levam a buscar outras opções de tratamento. Estudos recentes sugerem inclusive que o uso crônico de corticoesteróides, mesmo que em baixas doses, pode contribuir para perda irreversível de tecido cerebral em uma variedade de doenças auto-imunes.

Isso tudo no mínimo nos faz pensar:  tantos efeitos colaterais compensam sua utilização?  

Fontes: